domingo, 31 de janeiro de 2016

O melhor amigo!


Na semana da amizade vou-te falar sobre o melhor amigo!


A mãe estava na sala, costurando. O menino abriu a porta da rua, meio ressabiado, arriscou um passo para dentro e mediu cautelosamente, a distância. Como a mãe não se voltasse para vê-lo deu uma corridinha em direção a seu quarto.
- Meu filho? – Gritou a ela.
- O que é – respondeu, com ar mais natural que lhe foi possível.
- Que é que você está carregando ai?
Como podia ter visto alguma coisa, se nem levantara a cabeça? Sentido-se perdido, tentou ainda ganhar tempo:
- Eu? Nada...
- Está sim. Você entrou carregando uma coisa.
Pronto: Estava descoberto. Não adiantava negar o jeito era procurar comovê-la. Veio caminhando desconsolado até a sala, mostrou a mãe o que estava carregando:
- Olha ai, mamãe: É um filhote...
Seus olhos súplices aguardavam a decisão.
- Um filhote? Onde é que você arranjou isso?
Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe?
Sabia que não adiantava: Ela já chamava filhote de isso. Insistiu ainda.
- Deve estar morrendo de fome, olha só a carinha que ele faz.
- Trate de levar embora esse cachorro agora mesmo!
- Há Mamãe... – Já compondo uma cara de choro.
- Tem deis minuto para botar este bicho na rua. Já disse que não quero animais aqui em casa. Tanta coisa pra cuidar. Deus me livre de ainda inventar uma amolação dessas.
O menino tentou enxugar uma lágrima, não havia lágrima. Voltou para o quarto, emburrado: A gente também não tem nenhum direito nesta casa – pensava. Um dia eu faço um estrago louco. Meu único amigo enxotado desta maneira!
- Que diabo também, nesta casa tudo é proibido! – Gritou lá do quarto, e ficou esperando a reação da mãe.
- Deis minutos – repetiu ela, com firmeza.
- Todo mundo tem cachorro, só eu que não tenho.
- Você não é todo mundo.
- Também de hoje em diante eu não estudo mais, não vou mais para o colégio, não faço mais nada!
- Veremos – limitou a mãe, de novo distraída com a costura.
- A senhora é ruim, mesmo, não tem coração.
- Sua alma, sua palma.
Conhecia bem a mãe, sabia que não haveria apelo: Tinha deis minutos para brincar com seu novo amigo, e depois...
Ao fim  de deis minutos, a voz da mãe, inexorável:
- Vamos chega! Leva esse cachorro embora.
- Há mamãe, deixa!Choramingou ainda: - Meu melhor amigo não tenho mais ninguém nesta vida.
- E eu? Que bobagem é essa, você  não tem sua mãe?
- Mãe e cachorro não é a mesma coisa.
- Deixa de conversa: Obedece a sua mãe.
Ele saiu, e seus olhos prometiam vingança. A mãe chegou a se preocupar: Meninos nessa idade, uma injustiça praticada a eles perdem a cabeça, um recalque, complexos, essa coisa toda...
- Pronto mamãe!
Ele exibia uma nota de vinte e uma de deis: Havia vendido o seu melhor amigos por trinta dinheiros (expressão do autor).
- Eu devia ter pedido cinquenta, tenho certeza de que ele dava - murmurou pensativo.
(Tirado do livro. Fernando Sabino. A mulher do vizinho, editora sabiá, RJ. 6° edição.)

Moral da história!
Bom deu para observar que o menino não perdia oportunidades. Para ele os momentos difíceis tornaram-se oportunidades.
01 – Achou o cachorro levou pra casa. Adquiriu um amigo grátis!
02 – Ele é um bom negociador. Tentou convencer a mãe com vários argumentos diferentes.
03 - Não alcançando o êxito de ficar com o seu melhor amigo ele foi um bom vendedor! Livrou-se do amigo, e ainda levou dinheiro no bolso!
04 – Ele é uma pessoa de visão. Apesar de ter fechado a venda. Ele tinha certeza que poderia ter ganhado mais se tivesse convencido melhor o comprador do cachorro!
E você se estivesse no lugar deste menino qual atitude tomaria?
Será que você saberia aproveitar seus momentos de fraquezas para tornar-se forte?
 Úrsula – Coach.
Skype: ursolina. de.Souza.silva



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